Proteção da biodiversidade, recursos hídricos e solos

Estamos comprometidos com a preservação da biodiversidade e a proteção dos recursos hídricos em todas as geografias e em toda a operação, contribuindo para os objetivos desenvolvimento sustentável (ODS 14 e 15). Participamos em programas de proteção e recuperação de espécies e habitats nas áreas em que desenvolvemos os nossos projetos e avaliamos o nosso impacto nos recursos naturais, em particular nas áreas protegidas e sensíveis, ou naquelas que são propensas à escassez de água.

Gestão da Biodiversidade

Estamos empenhados em salvaguardar a biodiversidade e os serviços dos ecossistemas em todas as geografias onde operamos, garantindo a sua preservação durante o ciclo de vida dos nossos projetos. Isto assume uma especial importância dada a expansão das nossas atividades.

Assumimos o compromisso de não operar/ explorar/ minerar/ perfurar em áreas de Património Mundial e áreas protegidas das Categorias I a IV da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Todos os projetos da Galp estão sujeitos a avaliação e monitorização do impacte ambiental, aplicando a hierarquia de mitigação (evitar, minimizar, restaurar e compensar) nas áreas em que operamos que possuam biodiversidade relevante a nível nacional ou global. Introduzimos na nossa análise a abordagem estabelecida no Protocolo do Capital Natural de forma a medir o valor económico dos impactes ambientais e refletir o valor acrescentado à sociedade.

Quando e caso ocorra um impacte significativo na biodiversidade, ao longo do ciclo de vida dos projetos, implementamos as ações necessárias para minimizar o risco de ocorrência de quaisquer efeitos adversos, ao nível mínimo aceitável (i.e. projetados para não terem nenhuma perda líquida de biodiversidade quando praticável - No Net Loss).

Caso sejam identificadas áreas sensíveis ao nível da biodiversidade que possam ser afetadas por projetos, avaliamos o risco que possa existir e, caso necessário, definimos um Plano de Ação sobre a Biodiversidade.

Adicionalmente, ao longo dos anos, desenvolvemos normativos e procedimentos para fortalecer o nosso compromisso de minimizar o impacte das nossas atividades na biodiversidade e nos serviços dos ecossistemas. Estes incluem guias internos para integração da biodiversidade nas avaliações de impacto ambiental e social (AIAS) e para identificação e implementação de soluções adequadas para a gestão de atividades de upstream em áreas sensíveis ao nível da biodiversidade, estando em conformidade com referências internacionais e nacionais, tais como:

  • Organização Marítima Internacional (IMO)
  • Associação Internacional dos Produtores de Petróleo e Gás (IOGP)
  • Associação Internacional de Conservação Ambiental da Indústria Petrolífera (IPIECA)

Participamos ainda em iniciativas, programas e grupos de trabalho do setor de O&G que contribuem para a evolução do conhecimento sobre boas práticas ao nível da gestão da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas. Pretendemos melhorar e aprofundar o nosso conhecimento sobre como reconhecer e gerir os impactes da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas.

Outras referências relevantes:

Screening do risco para a biodiversidade

Identificamos os riscos e impactes através da atualização anual do mapeamento das áreas de proteção e conservação da biodiversidade na envolvente das nossas operações, utilizando a ferramenta Integrated Biodiversity Assessment Tool (IBAT).

Anualmente, avaliamos 100% das nossas atividades enquanto operador (73 locais em 2018), recorrendo a esta ferramenta.

Segundo o IBAT, os resultados obtidos mostram que nenhum dos nossos sites  em operação se localiza numa zona com relevância significativa ao nível da biodiversidade. Por essa razão, não foram necessárias, até à data, medidas de restauração ou compensação.

Realçamos ainda que na fase de identificação de oportunidades, levamos em consideração as questões de biodiversidade na seleção e tomada de decisão dos projetos de upstream.

Localização das operações e áreas protegidas

Consideramos as áreas mais importantes em termos de conservação da biodiversidade, como as áreas protegidas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e os locais classificados como Património Mundial pela UNESCO.

As nossas atuais operações não estão localizados em áreas classificadas como protegidas nível I a IV, segundo a IUCN.

Tipo de área protegida No local Num raio de 10km Num raio de 50km
Área protegida IUCN Ia 0 1 6
Área protegida IUCN Ib 0 3 9
Área protegida IUCN II 0 1 4
Área protegida IUCN III 0 2 8
Área protegida IUCN IV 0 7 31
Área protegida IUCN V 0 5 27
Área protegida IUCN VI 1 5 26
Área-Chave de biodiversidade 3 23 80
Rede Natura 2000 2 20 85
Ramsar 0 7 20
AZE 0 0 2
Património Mundial da Unesco 0 1 1

Consulte o relatório com a identificação das áreas com importância para a biodiversidade na envolvente dos locais onde a Galp está presente. 

São Tomé e Príncipe

As atividades de exploração em S. Tomé e Príncipe foram alvo de um estudo de impacte ambiental que identificou medidas de mitigação para alguns impactes potenciais. Para maximizar a proteção da biodiversidade, a atividade das embarcações foi adaptada com a participação de oito observadores da fauna marinha acreditados pelo Joint Nature Conservation Committee (JNCC) e pelo Bureau of Safety and Environmental Enforcement (BSEE). Em S. Tomé e Príncipe, enquanto operador de um dos blocos em que estamos presentes, partilhamos dados sobre a observação de espécies junto de organizações ambientais internacionais.

Namíbia

Em 2018, as atividades de exploração na Namíbia foram alvo de um levantamento sísmico  marinho e de uma auditoria de saúde, segurança e ambiente, sem nenhum incidente grave reportado. Para garantir a proteção máxima da biodiversidade, os especialistas realizaram uma monitorização contínua de mamíferos marinhos. Como parte do envolvimento com os nossos stakeholders e do compromisso de transparência em todos os nossos projetos, apoiámos os comerciantes locais e divulgámos informações relevantes sobre o projeto a empresas pesqueiras locais que operam dentro das nossas zonas de operação.

Projeto Oceantech

A Galp é parceira do projeto Oceantech, um sistema de gestão de operações baseado no uso de veículos robóticos inteligentes para explorar o mar a partir da costa portuguesa. A Oceantech visa desenvolver um sistema de monitorização acústica passiva e versátil para a biodiversidade marinha, colocando Portugal numa posição de vantagem do crescimento da chamada «economia azul», através da exploração de oportunidades globais.

 

Programas de reflorestação

Através do Galp Voluntária, destacamos o movimento Terra de Esperança, uma parceria entre a Fundação Galp e a Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA) para a reflorestação de áreas afetadas pelos incêndios florestais em Portugal, através da doação à associação de 500.000 árvores de espécies nativas.

Consulte aqui informação mais detalhada sobre esta iniciativa.

Proteção dos recursos hídricos

A água é um bem essencial à vida. Além de ser um elemento fundamental da cadeia alimentar, é um importante suporte para variados processos industriais e atividades económicas. A sua qualidade é determinante para a saúde e bem-estar das populações. Os riscos associados à qualidade e disponibilidade da água são inúmeros e proporcionais à tendência de crescimento da população e à industrialização. A segurança dos recursos hídricos é fundamental, especialmente considerando as alterações climáticas e os seus efeitos.

Estamos comprometidos com a adoção de medidas que conduzam a uma utilização mais eficiente e sustentável da água nas nossas operações. Relativamente à qualidade dos recursos, a Galp monitoriza a qualidade das águas subterrâneas nas suas operações de upstream e downstream, nomeadamente nos blocos operados onshore e nas refinarias. Todas as amostras recolhidas na campanha de  monitorização de solo e águas subterrâneas, realizada este ano, e para os parâmetros analisados (metais pesados, PAH, TPH), apresentaram valores abaixo dos limites das referências.

Pelo segundo ano consecutivo, em 2018 a Galp foi distinguida pelo “CDP water security”, como líder global pelas boas práticas de redução, reutilização e reciclagem da água (Lista A).

Estamos ativamente envolvidos com os stakeholders: A Galp participou no projeto ≪Abordagem Integrada da Água e Reutilização Urbana≫, desenvolvido por um grupo de trabalho da IMPEL (Integrated Water Approach and Urban Reuse). Este projeto teve como objetivo partilhar as práticas das refinarias no âmbito do consumo e reutilização de água com as entidades reguladoras europeias e desenvolver um guia de boas práticas para a gestão da água, em conformidade com a diretiva sobre emissões industriais e a diretiva-quadro relativa a água.

Screening dos riscos associados ao uso da água

Atualizamos periodicamente o mapeamento dos riscos associados ao uso de água em 100% das nossas operações. Este mapeamento é realizado com recurso à Global Water Tool for Oil & Gas (GWT), desenvolvida pela Global Oil and Gas Industry Association for Environmental and Social Issues (IPIECA) em colaboração com o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD).

De acordo com o mapeamento efetuado em 2018, usando a GWT para Oil & Gas, 4% das nossas operações estão em áreas com escassez de recursos hídricos. Estas áreas representam apenas 0,14% do consumo total de água da Galp.

Consulte aqui informação mais detalhada sobre a nossa Análise de Riscos Associados ao Uso da Água.

Proteção do solo

Reconhecendo a importância que a nossa intervenção tem na preservação dos solos nos locais onde operamos, desenvolvemos planos de ação e atuamos proativamente.

Dispomos de standards e procedimentos internos que visam a gestão sustentável dos solos e recursos hídricos. Estabelecemos metodologias, alinhando a atuação com as boas práticas reconhecidas internacionalmente e com as expectativas das autoridades competentes e restantes stakeholders.

Na ótica integrada do ciclo de vida das nossas instalações, a proteção de solos e recursos hídricos é assegurada através da:

  • Correta gestão de produtos contaminantes, resíduos e efluentes;
  • Prevenção de incidentes;
  • Preparação da resposta a situações de emergência e de crise.

Temos sempre, por princípio, uma atuação responsável em caso de eventual ameaça de dano ambiental.

Em caso de suspeita de ocorrência de perda de integridade mecânica e consequente perda de contenção, aplicamos procedimentos de investigação e avaliação da contaminação.

Metodologia de avaliação da qualidade do solo e/ou águas subterrâneas e gestão de sites, aplicada após a ocorrência de um evento que possa causar contaminação.

 

Nos últimos anos, em conjunto com APETRO, e a par das restantes associadas, temos vindo a encetar esforços no sentido de promover conhecimento em matéria de proteção de solos e águas subterrâneas em Portugal.

A primeira etapa, concluída em 2014, consistiu na elaboração e publicação de um relatório de benchmarking legal e metodológico para a proteção de solos e águas subterrâneas da contaminação por produtos petrolíferos.

A segunda etapa do projeto foi concluída em 2016, com a publicação do Guia Setorial para a Proteção de Solos e Águas Subterrâneas,no Setor Petrolífero. O Guia constitui um documento de referência no que diz respeito às técnicas e metodologias a aplicar no âmbito da avaliação da qualidade dos solos e águas subterrâneas potencialmente contaminados.

O seu propósito é definir as diretrizes sobre “o que fazer” e “como fazer” perante uma potencial contaminação de solos e/ou de águas subterrâneas, com produtos petrolíferos.

Prevenção e resposta à emergência

Acreditamos numa prevenção sustentada na avaliação dos riscos e impactes ao longo do ciclo de vida dos projetos. Envidamos esforços para melhorar a compreensão do meio em que se desenvolvem as nossas atividades, a diferentes níveis:

  • Vulnerabilidade ecológica;
  • Hidrogeologia local;
  • Qualidade e características dos recursos hídricos;
  • Tipo e características dos solos e condições bioclimáticas.

Este conhecimento é informação relevante para a prevenção e minimização dos impactos das nossas atividades, nomeadamente ao nível do planeamento e resposta à emergência.

Desenvolvemos planos de resposta à emergência específicos para as nossas operações, sendo que estes são periodicamente revistos e testados.

Os planos de emergência cobrem todas as fases da resposta à emergência, da identificação da emergência ao seu fecho. Incluem todos os cenários que poderão levar a um evento grave, definindo os recursos, funções, responsabilidades, as competências e experiências requeridas para cada situação. Também estão identificados os canais de comunicação com stakeholders internos e externos, visando a minimização dos efeitos adversos sobre a vida humana, ambiente e ativos.

Provisões ambientais para remediação e descomissionamento

Constituímos anualmente provisões para passivos ambientais. Estas são estabelecidas, regra geral, de modo a prover recursos para processos de descontaminação de solos e águas subterrâneas, bem como para projetos de abandono de blocos decorrentes da atividade E&P.

Provisões (€k) 2015 2016 2017 2018
Ambiente 2,2 3,4 18,0 33,0
Abandono de blocos 129 139 281 282