Supervisão e gestão das emissões de GEE

A Galp está empenhada em garantir uma governação sólida dos riscos e oportunidades relacionados com o clima, ao mesmo tempo que mede, gere e reduz as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) provenientes das suas operações e da energia que fornece aos clientes.

A Comissão Executiva e a Comissão de Sustentabilidade recebem regularmente atualizações sobre os indicadores de desempenho de GEE, o progresso do Roadmap de Sustentabilidade e os riscos e oportunidades climáticos significativos. Adicionalmente, a Comissão de Gestão de Risco apoia e supervisiona o desenvolvimento e a aplicação da estratégia e da política de Gestão de Risco da Galp.​

Estratégia e gestão de impactos, riscos e oportunidades

A Galp identifica, avalia e gere os seus impactos, riscos e oportunidades relacionados com o clima, recorrendo a metodologias e ferramentas complementares, incluindo a avaliação de dupla materialidade e avaliações de risco específicas da Empresa e dos projetos, que têm em conta as emissões e o impacto dos preços do carbono. ​ 

Para fazer face aos riscos e oportunidades associados à transição para uma economia de baixo carbono, a Galp monitoriza ativamente os desenvolvimentos políticos, regulamentares, tecnológicos, de mercado e legais, assim como riscos reputacionais no setor, integrando-os na análise do portefólio atual e nos estudos de viabilidade para novos investimentos. ​ 

Mitigação das alterações climáticas na Galp 

A atual volatilidade geopolítica e dos mercados energéticos reforça simultaneamente a importância e a complexidade da transição energética sobretudo num contexto de crescimento de procura.

Neste panorama, a Galp compromete-se com a criação de valor sustentável a longo prazo, alicerçada numa abordagem pragmática e disciplinada face aos desafios da descarbonização. A estratégia da Empresa passa por equilibrar investimentos em soluções de baixo carbono enquanto salvaguarda o fornecimento de energia seguro e acessível. Através desta abordagem pragmática é possível, de forma responsável, maximizar a resiliência e os retornos, promovendo 
a descarbonização das nossas operações e a evolução estratégica do nosso portefólio de produtos energéticos.

À luz da evolução do seu portefólio, bem como das tendências do mercado e dos desenvolvimentos regulatórios, a publicação do plano de transição energética é estimada após a consolidação da avaliação do portefólio, assegurando o alinhamento com os requisitos de divulgação.

No âmbito do seu progresso rumo a um sistema energético de baixo carbono, a Empresa pretende garantir a resiliência do seu portefólio, envolvendo-se no desenvolvimento de projetos para reduzir a intensidade carbónica das suas atividades e reduzir progressivamente as emissões das suas operações de fornecimento de energia, enquanto aumenta a integração das energias renováveis.

O portefólio Upstream da Galp é caraterizado pela sua elevada eficiência e baixa intensidade de carbono em cerca de 10,96 kg CO2e/boe, correspondendo a menos de metade da intensidade reportada 
pelos membros do Oil and Gas Decarbonisation Charter (24 kg CO2e/boe) que agrega 53 empresas responsáveis por c.40% da produção mundial
de crude.

Na vertente industrial downstream, a Galp tem vindo a reduzir progressivamente a pegada de carbono das suas atividades e continua ativamente envolvida no desenvolvimento de iniciativas que permitirão reduzir ainda mais as emissões e aumentar a produção de produtos com menor teor de carbono. Um exemplo claro disso são os projetos de grande escala que estão atualmente a ser construídos em Sines, a nossa principal unidade industrial, incluindo os primeiros eletrolisadores de 100 MW para produção de hidrogénio renovável e uma unidade avançada de biocombustíveis, capaz de produzir combustíveis de baixo carbono para o transporte rodoviário, aéreo e marítimo. Adicionalmente, estão previstos investimentos no aumento da eficiência energética operacional e eletrificação em Sines.

Além disso, a Galp tem vindo a desenvolver uma capacidade significativa de produção de energia renovável, cuja integração é fundamental para apoiar o desenvolvimento de outros negócios de baixo carbono em todo o grupo.

Critérios de investimento e integração ESG 

Os critérios de investimento da Empresa promovem investimentos em oportunidades de criação de valor e em projetos que estejam alinhados com a estratégia da Galp, com as normas ESG e com a regulação aplicável. Isto garante que os projetos são resilientes, proporcionam retornos favoráveis e estão alinhados com o apetite de risco da Empresa, com os objetivos estratégicos e com as diretrizes e políticas de sustentabilidade.​ 

Previamente à sua aprovação, os projetos relevantes são submetidos a uma análise que inclui o seu alinhamento com a Taxonomia de Investimento Sustentável da UE e uma avaliação de risco ESG, na qual é tido em conta o impacto das emissões de GEE e outros riscos ESG na previsão do free cash flow do projeto.

Integração do preço de carbono na aprovação do investimento​

A Galp reconhece que a utilização de um preço interno de carbono na análise de investimentos permite incorporar os custos associados às emissões de GEE e integrar os riscos relativos às alterações climáticas nas suas decisões financeiras e simultaneamente identificar e incentivar investimentos em soluções de baixo carbono. Ao aplicar este mecanismo na avaliação de novos projetos e de alterações a projetos existentes, sempre que aplicável, e ao considerar o impacto
das emissões nas suas métricas de descarbonização, a Galp assegura que os projetos de menor intensidade carbónica são valorizados, desde 
que cumpridos os critérios de investimento definidos.

Os preços de carbono adotados pela Galp seguem pressupostos alinhados com cenários externos 
de transição energética a longo prazo, refletindo os atuais quadros legislativos e antecipando proativamente futuros desenvolvimentos regulatórios.​

Avaliação de riscos climáticos

A Galp continua a reforçar os seus processos de identificação, avaliação e gestão dos riscos e oportunidades climáticos, com o objetivo 
de aprofundar a compreensão da resiliência 
dos seus atuais e potenciais ativos, bem 
como da sua estratégia.

Neste contexto, a Empresa está a desenvolver metodologias, estruturas e ferramentas para identificar e avaliar riscos e oportunidades relacionados com o clima e quantificar os respetivos impactos operacionais, diretos e indiretos, e financeiros. Estas análises abrangem riscos físicos agudos e crónicos, em diferentes cenários climáticos, incluindo cenários credíveis em que é atingida a neutralidade carbónica e outro de emissões elevadas. Os riscos serão avaliados no curto, médio e longo prazo, para os diversos  negócios e geografias onde a Galp opera ou poderá vir a operar.

Com base nestas avaliações, serão definidos planos para a gestão e mitigação dos principais riscos climáticos identificados.

As avaliações anteriores dos riscos físicos associados às alterações climáticas indicam que a Empresa apresenta uma exposição relativamente baixa aos riscos físicos crónicos. Os riscos físicos agudos identificados como mais significativos foram episódios de vento extremo e precipitação intensa. Embora o impacto estimado seja geralmente reduzido, estes fenómenos podem danificar instalações e equipamentos, afetar a acessibilidade portuária devido a alterações nos padrões de agitação marítima, interromper operações e cadeias logísticas e afetar o fornecimento de matérias-primas.

Métricas e metas relacionadas com o clima 

A Galp monitoriza, através de vários indicadores-chave de desempenho (KPIs) e Objective and Key Results (OKRs), o progresso das suas emissões e da sua trajetória de descarbonização. Estas métricas incluem as que estão alinhadas com o Roadmap de Sustentabilidade, bem como medidas específicas de projetos e negócios.​

Na sequência das recentemente anunciadas evoluções do seu portefólio de ativos, a Galp encontra-se a realizar uma análise aprofundada das respetivas implicações, incluindo ao nível dos objetivos de redução de emissões. Este trabalho visa assegurar uma base sólida para a definição de metas futuras que sejam simultaneamente ambiciosas e credíveis, bem como para o desenvolvimento de um plano de transição energética alinhado 
com a estratégia de longo prazo e a visão de sustentabilidade da Empresa.

A orientação estratégica da Galp permanece inalterada: potenciar soluções energéticas de baixo carbono é central para responder aos desafios e capturar as oportunidades da transição energética, promovendo a descarbonização contínua do portefólio e da energia fornecida aos clientes, em alinhamento com os compromissos societais e com as metas definidas pela União Europeia.

A Galp reconhece a necessidade de metodologias padronizadas para a definição de metas e de GEE no setor do petróleo e gás. Tal harmonização melhoraria a comparabilidade do desempenho e das metas de emissões em toda a indústria, particularmente as que abordam as emissões indiretas da cadeia de valor (Âmbito 3). A Empresa acompanha ativamente os desenvolvimentos em torno dos standards de reporte voluntário emergentes, das normas de definição de metas de redução de emissões e da regulação relevante.

Emissões de GEE

Emissões de GEE​ de Âmbitos 1, 2 e 3 

A Galp calcula as emissões de Âmbito 1, 2 e 3 de acordo com as normas internacionais, incluindo o GHG Protocol e as orientações de reporte para o setor do Petróleo e Gás da IPIECA. As emissões são estimadas para CO₂, CH₄ e N₂O, convertidas em CO₂ equivalente utilizando os valores de Potenciais de Aquecimento Global AR6 do IPCC.​ 

Âmbito 1 e 2 

O cálculo de emissões baseia-se em dados de consumo de energia primária, convertidos utilizando fatores adequados. Nos processos de refinação, são utilizados balanços de massa, quando aplicável. Os fatores de conversão são obtidos a partir de: dados primários provenientes da análise direta dos combustíveis (por exemplo, para as emissões da refinaria); relatórios de inventários de emissões nacionais; e outros dados públicos, quando necessário. As emissões de Âmbito 2 são comunicadas utilizando os métodos:​ 

  • Método baseado no mercado: utiliza fatores de emissão específicos do fornecedor. Desde 2021, a Galp abastece-se de eletricidade 100% renovável (com garantias de origem) para todas as operações em Portugal e, desde julho de 2024, para os parques de energia renovável em Espanha.​ 

  • Método baseado na localização: utiliza dados da rede elétrica local, que estão publicamente disponíveis.​ 

Âmbito 3  

A Galp reporta emissões do Âmbito 3 para categorias materiais, calculadas com base em dados de atividade (c.80% em 2025), aplicando os fatores de conversão e emissão adequados. As principais categorias incluem:​ 

  • Categoria 1 - Bens e serviços adquiridos: emissões do ciclo de vida de combustíveis/matérias-primas adquiridas a terceiros para processamento e revenda (por exemplo, gás natural, GNL, petróleo bruto, gasóleo, jet, biocombustíveis, etc.).​ 

  • Categoria 3 - Atividades relacionadas com os combustíveis e a energia: emissões do ciclo de vida da produção de eletricidade adquirida para revenda. ​ 

  • Categoria 4 - Transporte e distribuição a montante: emissões provenientes do transporte de matérias-primas e combustíveis importados e da distribuição de combustíveis líquidos e gasosos.​ 

  • Categoria 6 - Viagens de negócios: emissões provenientes das deslocações aéreas e ferroviárias dos trabalhadores.​ 

  • Categoria 10 - Transformação de produtos vendidos: emissões provenientes do processamento de petróleo bruto vendido a terceiros.​ 

  • Categoria 11 - Utilização de produtos vendidos: emissões provenientes da combustão de produtos energéticos vendidos, aplicando o método de contabilização do volume líquido da IPIECA. Isto inclui o volume de produção da refinaria e o volume de gás vendido, uma vez que estes são os pontos das respetivas cadeias de valor onde é transferida a maior quantidade de produto potencialmente vendido.​ 

As categorias excluídas são consideradas não materiais para o setor do petróleo e gás ou para a Galp em particular.​ 

Limites organizacionais: as emissões reportadas são estimadas com base numa abordagem de controlo operacional, mas incluem também emissões de ativos Upstream com base na participação acionista da Galp, bem como emissões de campanhas de exploração operadas. 

Metano

As emissões de metano correspondem a uma fração reduzida das emissões operacionais totais da Empresa, representado c.0.5% das emissões dos âmbitos 1 e 2 em 2025, e estão maioritariamente associadas ao non-routine flaring em ativos de Upstream operados por terceiros. No entanto, a Galp procura reduzir as emissões de metano 
nos seus ativos operados, como a refinaria de Sines.

Todos os operadores dos ativos upstream em produção em que a Galp tem participações são signatários da OGCI Methane Reduction Initiative, da Oil and Gas Methane Partnership (OGMP) 2.0 e do Oil and Gas Decarbonisation Charter, o que significa que estão empenhados em melhorar a medição e o reporte destas emissões, em acabar com o routine flaring nas operações de Upstream e em ter praticamente zero emissões de metano até 2030.​ 

Atuar sobre as emissões de metano
A refinaria de Sines é o ativo operado pela Galp onde as emissões de metano são mais relevantes. Como tal, foram adotadas várias medidas para mitigar estas emissões ao longo dos anos. A refinaria instalou uma unidade de recuperação num dos seus flares para reduzir o flaring e as emissões de metano associadas, bem como uma unidade de recuperação de vapores para minimizar as emissões de compostos orgânicos voláteis (VOC) difusos, incluindo o metano proveniente da carga e descarga de hidrocarbonetos. As emissões fugitivas e difusas são também monitorizadas e tratadas pelo seu Programa LDAR (Deteção e Reparação de Fugas) anual. A refinaria está a desenvolver um plano de gestão de VOC para a gestão integrada de todas as iniciativas de redução e monitorização de emissões fugitivas e difusas, a fim de minimizar ainda mais as emissões de VOC operacionais.

Pegada de Carbono da Galp

Emissões de GEE​ de âmbitos 1, 2, 3 e totais (tonCO2e) 

2025

2024

Retroespetiva (2025/2024)

Emissões de GEE de âmbito 1

 

 

 

Total de emissões de GEE de âmbito 1​ 

2 653 634

3 128 177

-15%

Por unidade de negócio:

 

 

 

Upstream

428 594

462 352

-7%

Industrial & Energy Management

2 219 745

2 660 016

-17%

Commercial

184

182

1%

Renewables & New Businesses

80

152

-47%

Outros

5 031

5 476

-8%

Por fonte:

 

 

 

Combustão​ 

1 698 819

1 902 670

-11%

Flaring​ 

144 603 

174 913

-17%

Fugitivas​ 

5 158

13 865 

-63% 

Venting (E&P) 

-

-

-

Processo​ 

805 054

1 036 730

-22%

Percentagem das emissões de GEE do âmbito 1 provenientes de regimes regulamentados de comércio de emissões (%)​ 

83%

84%

-1%

Emissões de GEE de âmbito 2

 

 

 

Total de emissões de GEE de âmbito 2 com base na localização

30 939

24 421

27%

Total de emissões de GEE de âmbito 2 com base no mercado

7 517

8 820

-15%

Por unidade de negócio:

 

 

 

Upstream

2

-

441%

Industrial & Energy Management

433

450

-4%

Commercial

7 007

7 597

-8%

Renewables & New Businesses

53

738

-93%

Outros

24

35

-31%

Emissões de GEE de âmbito 3

 

 

 

Total de emissões de indiretas (âmbito 3) de GEE

40 239 263

43 133 399

-7%

Por unidade de negócio:

 

 

 

Upstream

1 251 923

1 166 581

-7%

Industrial & Midstream

30 847 427

34 388 514

-10%

Commercial

8 135 159

7 570 752

7%

Renewables & New Businesses

1 101

323

241%

Outros 

3 653

7 229

-49%

Por categoria:

 

 

 

1. Bens e serviços adquiridos

4 051 415

3 941 293

3%

3. Atividades relacionadas com combustíveis e energia (não incluídas no Âmbito 1 ou no Âmbito 2)​

1 811 634

1 781 707 

2%

4. Transporte e distribuição (upstream)

722 807

576 150

25%

6. Viagens de negócios

3 653

7 229

-49%

10. Processamento de produtos vendidos

1 251 923

1 166 581

7%

11. Uso de produtos vendidos

32 397 835

35 660 439

-9%

Total de emissões de GEE

 

 

 

Com base na localização

42 923 837

46 285 806

-7%

Com base no mercado

42 900 415

46 270 397

-7%

Emissões evitadas

A Galp estima o impacto de várias das suas soluções de baixo carbono, publicando anualmente uma estimativa das emissões evitadas pela sua implementação. Esta estimativa é calculada com base num cenário de referência em que estas soluções e produtos não teriam sido implementados no ano da sua venda ou execução. A Empresa tem a consideração neste cálculo as emissões evitadas através da integração e venda de biocombustíveis para o setor dos transportes, do fornecimento de eletricidade para a mobilidade elétrica, da produção e venda de eletricidade renovável e da prestação de serviços de produção descentralizada de energia e de eficiência energética.​