Estratégia e gestão de impactos, riscos e oportunidades
A Galp identifica, avalia e gere os seus impactos, riscos e oportunidades relacionados com o clima, recorrendo a metodologias e ferramentas complementares, incluindo a avaliação de dupla materialidade e avaliações de risco específicas da Empresa e dos projetos, que têm em conta as emissões e o impacto dos preços do carbono.
Para fazer face aos riscos e oportunidades associados à transição para uma economia de baixo carbono, a Galp monitoriza ativamente os desenvolvimentos políticos, regulamentares, tecnológicos, de mercado e legais, assim como riscos reputacionais no setor, integrando-os na análise do portefólio atual e nos estudos de viabilidade para novos investimentos.
Mitigação das alterações climáticas na Galp
A atual volatilidade geopolítica e dos mercados energéticos reforça simultaneamente a importância e a complexidade da transição energética sobretudo num contexto de crescimento de procura.
Neste panorama, a Galp compromete-se com a criação de valor sustentável a longo prazo, alicerçada numa abordagem pragmática e disciplinada face aos desafios da descarbonização. A estratégia da Empresa passa por equilibrar investimentos em soluções de baixo carbono enquanto salvaguarda o fornecimento de energia seguro e acessível. Através desta abordagem pragmática é possível, de forma responsável, maximizar a resiliência e os retornos, promovendo
a descarbonização das nossas operações e a evolução estratégica do nosso portefólio de produtos energéticos.
À luz da evolução do seu portefólio, bem como das tendências do mercado e dos desenvolvimentos regulatórios, a publicação do plano de transição energética é estimada após a consolidação da avaliação do portefólio, assegurando o alinhamento com os requisitos de divulgação.
No âmbito do seu progresso rumo a um sistema energético de baixo carbono, a Empresa pretende garantir a resiliência do seu portefólio, envolvendo-se no desenvolvimento de projetos para reduzir a intensidade carbónica das suas atividades e reduzir progressivamente as emissões das suas operações de fornecimento de energia, enquanto aumenta a integração das energias renováveis.
O portefólio Upstream da Galp é caraterizado pela sua elevada eficiência e baixa intensidade de carbono em cerca de 10,96 kg CO2e/boe, correspondendo a menos de metade da intensidade reportada
pelos membros do Oil and Gas Decarbonisation Charter (24 kg CO2e/boe) que agrega 53 empresas responsáveis por c.40% da produção mundial
de crude.
Na vertente industrial downstream, a Galp tem vindo a reduzir progressivamente a pegada de carbono das suas atividades e continua ativamente envolvida no desenvolvimento de iniciativas que permitirão reduzir ainda mais as emissões e aumentar a produção de produtos com menor teor de carbono. Um exemplo claro disso são os projetos de grande escala que estão atualmente a ser construídos em Sines, a nossa principal unidade industrial, incluindo os primeiros eletrolisadores de 100 MW para produção de hidrogénio renovável e uma unidade avançada de biocombustíveis, capaz de produzir combustíveis de baixo carbono para o transporte rodoviário, aéreo e marítimo. Adicionalmente, estão previstos investimentos no aumento da eficiência energética operacional e eletrificação em Sines.
Além disso, a Galp tem vindo a desenvolver uma capacidade significativa de produção de energia renovável, cuja integração é fundamental para apoiar o desenvolvimento de outros negócios de baixo carbono em todo o grupo.
Critérios de investimento e integração ESG
Os critérios de investimento da Empresa promovem investimentos em oportunidades de criação de valor e em projetos que estejam alinhados com a estratégia da Galp, com as normas ESG e com a regulação aplicável. Isto garante que os projetos são resilientes, proporcionam retornos favoráveis e estão alinhados com o apetite de risco da Empresa, com os objetivos estratégicos e com as diretrizes e políticas de sustentabilidade.
Previamente à sua aprovação, os projetos relevantes são submetidos a uma análise que inclui o seu alinhamento com a Taxonomia de Investimento Sustentável da UE e uma avaliação de risco ESG, na qual é tido em conta o impacto das emissões de GEE e outros riscos ESG na previsão do free cash flow do projeto.
Integração do preço de carbono na aprovação do investimento
A Galp reconhece que a utilização de um preço interno de carbono na análise de investimentos permite incorporar os custos associados às emissões de GEE e integrar os riscos relativos às alterações climáticas nas suas decisões financeiras e simultaneamente identificar e incentivar investimentos em soluções de baixo carbono. Ao aplicar este mecanismo na avaliação de novos projetos e de alterações a projetos existentes, sempre que aplicável, e ao considerar o impacto
das emissões nas suas métricas de descarbonização, a Galp assegura que os projetos de menor intensidade carbónica são valorizados, desde
que cumpridos os critérios de investimento definidos.
Os preços de carbono adotados pela Galp seguem pressupostos alinhados com cenários externos
de transição energética a longo prazo, refletindo os atuais quadros legislativos e antecipando proativamente futuros desenvolvimentos regulatórios.
Avaliação de riscos climáticos
A Galp continua a reforçar os seus processos de identificação, avaliação e gestão dos riscos e oportunidades climáticos, com o objetivo
de aprofundar a compreensão da resiliência
dos seus atuais e potenciais ativos, bem
como da sua estratégia.
Neste contexto, a Empresa está a desenvolver metodologias, estruturas e ferramentas para identificar e avaliar riscos e oportunidades relacionados com o clima e quantificar os respetivos impactos operacionais, diretos e indiretos, e financeiros. Estas análises abrangem riscos físicos agudos e crónicos, em diferentes cenários climáticos, incluindo cenários credíveis em que é atingida a neutralidade carbónica e outro de emissões elevadas. Os riscos serão avaliados no curto, médio e longo prazo, para os diversos negócios e geografias onde a Galp opera ou poderá vir a operar.
Com base nestas avaliações, serão definidos planos para a gestão e mitigação dos principais riscos climáticos identificados.
As avaliações anteriores dos riscos físicos associados às alterações climáticas indicam que a Empresa apresenta uma exposição relativamente baixa aos riscos físicos crónicos. Os riscos físicos agudos identificados como mais significativos foram episódios de vento extremo e precipitação intensa. Embora o impacto estimado seja geralmente reduzido, estes fenómenos podem danificar instalações e equipamentos, afetar a acessibilidade portuária devido a alterações nos padrões de agitação marítima, interromper operações e cadeias logísticas e afetar o fornecimento de matérias-primas.