“Quando somos nós a arranjar, damos mais valor”

“Quando somos nós a arranjar, damos mais valor”

Comunidade

Pincéis no ar, baldes de tinta espalhados pelo chão e uma centena de pessoas de mãos à obra no Jardim Infantil e Polidesportivo da Quinta do Cabrinha, em Alcântara. A ação promovida pela Fundação Galp reuniu 120 voluntários - entre colaboradores, parceiros e associações locais - para recuperar um espaço infantil, recentemente vandalizado, e devolver melhores condições às crianças do bairro. 

Na véspera, a iniciativa tinha passado pela Marinha Grande, numa ação dedicada à proteção ambiental que reuniu mais de 70 participantes. Em Alcântara, o número quase duplicou. Ao todo, nas últimas duas semanas a Fundação movimentou cerca de 600 voluntários. 

Aqui em Alcântara enquanto alguns voluntários pintavam paredes substituiam o pavimento, outros tratavam de pequenas reparações e recuperação dos canteiros espalhados pelo parque. "Queríamos mesmo um espaço aberto em que sentíssemos que estávamos a cuidar do nosso bairro", explica Sandra Aparício, Diretora Executiva da Fundação Galp.

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Dar valor ao bairro

Sara Correia trocou o palco pelos pincéis e ajudou a pintar um dos muros do Jardim Infantil da Quinta do Cabrinha. Entre flores improvisadas e desenhos criados no momento, a fadista - que diz ter orgulho nas suas raízes de bairro - juntou-se à ação de voluntariado para deixar uma mensagem aos mais novos.


“Acho que os jovens estão muito agarrados à Internet. Se conseguir despertar um bocadinho essa empatia pelos bairros e pelas pessoas, já vale a pena”, afirma. Para a artista, participar na recuperação dos espaços também muda a forma como se olha para eles: “Quando somos nós a arranjar, damos mais valor.”

Recuperar um espaço para as crianças
Recuperar um espaço para as crianças

 

A escolha do Jardim Infantil da Quinta do Cabrinha não foi aleatória. A Fundação Galp mantém com a Junta de Freguesia de Alcântara uma colaboração que permite identificar necessidades no terreno e quando, cerca de três semanas antes, o parque foi vandalizado, a escolha tornou-se evidente.

 

Do lado da Junta, a chegada da proposta trouxe um desafio logístico invulgar. "Não é fácil encontrar locais onde seja possível ter mais de 100 pessoas a trabalhar ao mesmo tempo", conta Mauro Santos, presidente da Junta de Freguesia de Alcântara.

O Jardim Infantil e o Polidesportivo da Quinta do Cabrinha reunia as condições ideais: tinha dimensão, trabalho para tantas mãos e uma necessidade. "Estava em muito mau estado, precisava de ser pintado, de substituição de alguns equipamentos que já apresentavam riscos de segurança e do próprio pavimento", descreve Mauro Santos.

A situação tinha chegado ao ponto em que parte dos equipamentos foi encerrada por precaução. As crianças continuavam a ir ao parque, mas não podiam usar tudo. "Vamos ficar com um parque que pode ser plenamente utilizado e que não apresentará nenhum tipo de risco", diz o presidente da Junta.

 

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Pôr mãos na massa

Inês Barbosa, de 44 anos, trabalha na área de Brand Experience da Galp e participa regularmente nas iniciativas de voluntariado promovidas pela Fundação. Já leu histórias a crianças em escolas, ajudou a reabilitar espaços no bairro da Ajuda e juntou-se agora à ação em Alcântara.

A proximidade à comunidade pesou na decisão. “Estamos a falar da comunidade de Alcântara, muito perto de nós, que ouvimos falar todos os dias nos corredores”, explica. Para Inês, o voluntariado é também uma forma de criar ligações entre colegas e fortalecer o espírito de equipa. “É um pouco de team building”, resume. “Acabamos por conhecer colegas com quem não trabalhamos diariamente e por perceber o lado B das pessoas, que também é muito importante”.

Voluntariado que se abre à comunidade

 

Entre os voluntários estavam colaboradores da Galp, parceiros e associações locais. Em Alcântara, uma das entidades presentes foi a Associação Vida Autónoma (AVA), que acompanha pessoas em situação de sem-abrigo ou em processo de autonomização. Alguns dos utentes participaram nos trabalhos de recuperação do parque, lado a lado com os restantes voluntários.

 

Galp - Ação Voluntariado - Alcântara-51

Galp - Ação Voluntariado - Alcântara-31

Catarina Santos, estagiária na AVA, acompanhou o grupo ao longo do dia e explica que este tipo de iniciativas acaba por ter impacto muito para lá do trabalho realizado no terreno. “É uma mais-valia. É um momento de convívio, mas também de participação ativa num espaço que faz parte do dia a dia deles e que utilizam regularmente”, refere.

A responsável destaca ainda a importância destas experiências no reforço da autonomia, da confiança e das relações sociais dos participantes. “É importante também pela oportunidade de conviverem com pessoas com quem não se cruzariam, mas sobretudo por se sentirem úteis e perceberem que conseguem fazer algo por eles próprios”, acrescenta.

 

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Todos contam

Maria Madalena Alves tem 56 anos, é pensionista e vive numa das residências da Associação Vida Autónoma, em Alcântara. Aceitou participar na ação de voluntariado da Fundação Galp depois de ser convidada pela associação.

Conhece bem o espaço e diz que o parque acaba por funcionar como ponto de encontro para muitos moradores do bairro. “As pessoas vêm para aqui conversar, sentam-se nos bancos, convivem”, conta. “Vejo isso muitas vezes quando venho à Quinta do Cabrinha praticar Tai Chi.”

Quatro ações para reforçar o impacto no terreno

 

 

A iniciativa em Alcântara integra um ciclo de quatro ações de voluntariado abertas à comunidade, promovidas pela Fundação Galp no âmbito de um programa mais alargado que incluiu também uma conferência dedicada ao impacto do voluntariado. O ciclo junta territórios afetados pelas tempestades Kristin, onde a Fundação desenvolve projetos de recuperação e reforço da resiliência, e comunidades onde a Galp mantém uma presença contínua.

A primeira ação decorreu na Marinha Grande, na Praia de Vieira de Leiria e reuniu 74 voluntários, com o apoio da Cruz Vermelha, da Junta de Freguesia da Marinha Grande e de jovens migrantes e refugiados do Centro Humanitário de Lisboa. Depois de Alcântara, o programa seguiu para Leiria, numa intervenção na Mata Nacional que contou com 200 inscrições, terminando depois em Sines, com a recuperação do Estádio Municipal.

 

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Energia para ajudar

Luís Carvalho tem 62 anos, trabalhou na Galp durante 42 anos e está reformado há dois. Bem-disposto, participa há muitos anos nas ações de voluntariado da empresa porque, como diz, “gosto muito de ajudar pessoas e comunidades”.

Em Alcântara, integrou a “equipa rosa”, responsável pela pintura dos balneários. “Estamos a dar tudo”, conta, orgulhoso. O entusiasmo é tanto que já foi convidado para a próxima ação em Leiria, mas ainda tenta perceber se consegue conciliá-la com os ensaios do coro da Autoridade Tributária. “Se me garantirem que estou em Lisboa às 18h, consigo fazer os dois”, brinca.

Voluntariado como parte da cultura da Fundação Galp

 

Estas ações refletem uma estratégia contínua da Fundação Galp. Todos os anos, mais de 2.000 voluntários da empresa participam em projetos desenvolvidos com instituições parceiras em diferentes comunidades. Em Alcântara, por exemplo, existem equipas que colaboram regularmente com o Banco Alimentar e outras envolvidas em projetos de recuperação de espaços ao longo do ano.

“Promovemos os nossos valores e a nossa cultura através do voluntariado”, afirma Sandra Aparício. “É uma forma de estarmos mais próximos e perceber o que de facto é relevante para as pessoas e para os territórios onde estamos presentes.” Segundo a responsável, o voluntariado faz parte da estratégia de impacto social da Fundação e permite criar uma ligação mais próxima com o trabalho desenvolvido pelas instituições parceiras em cada comunidade.

 

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