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Há um chef por trás da Galp Goody. Fomos conhecê-lo.

Há um chef por trás da Galp Goody. Fomos conhecê-lo.

Pessoas

Quando escolhe uma bifana, um café Biscoff ou um dot de matcha numa loja Galp Goody, dificilmente pensa em quem criou aquele produto. Mas há uma pessoa que passa dias - por vezes semanas - a provar, testar e aperfeiçoar cada receita antes de chegar à montra. Chama-se Juan Bosco e é o chef responsável pela oferta alimentar da Galp em Portugal e Espanha.

Juan Bosco não chegou à cozinha pelo caminho mais óbvio. Antes de vestir a farda de chef, estudou Matemática na Universidade de Madrid. Ao fim de dois anos, porém, percebeu que o que realmente o entusiasmava acontecia longe das equações.

A ligação à cozinha já vinha de muito antes. "Desde os sete ou oito anos fazia as minhas próprias refeições", recorda. Enquanto os pais trabalhavam, aproveitava as noites para experimentar receitas. "Fazia coisas simples: ovos, um bife grelhado... Lia receitas, experimentava e lembro-me de fazer sobremesas para o aniversário da minha mãe."

Seguiu-se a formação em Hotelaria, em Madrid, depois a especialização na escola Le Cordon Bleu, em Paris, e vários anos a trabalhar em diferentes países - primeiro como cozinheiro, depois como chef. Sempre gostou de viajar e encontrou na gastronomia uma forma de juntar essas duas paixões.

Comer bem, mesmo quando o tempo é curto

 

Quando a Galp convidou Juan Bosco para liderar a oferta alimentar das suas cafetarias - primeiro em Espanha e, mais tarde, em Portugal - o desafio era claro: mostrar que uma refeição de conveniência também pode surpreender.

"A conveniência está associada à rapidez. Mas rapidez não tem de significar falta de qualidade."

É essa ideia que orienta o seu trabalho. Criar receitas saborosas para um contexto muito específico: lojas com equipamentos próprios, equipas que não trabalham numa cozinha de restaurante e clientes que, muitas vezes, têm apenas alguns minutos para comer.

 

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"Do camionista à família em viagem"

Quem para numa loja de conveniência Galp Goody pode ser o camionista que faz 600 quilómetros por dia, a família em viagem ou, em ambientes mais urbanos, o trabalhador do escritório ao lado que entra todos os dias e já tem os seus produtos de eleição. São rotinas e expectativas completamente diferentes - e a oferta tem de funcionar para todos, ao mesmo tempo.

"Não desenvolvemos um produto para uma única pessoa. Pensamos sempre em diferentes momentos de consumo e em diferentes necessidades"

Juan Bosco

É precisamente essa diversidade que torna o desafio mais complexo. Não basta criar uma boa receita; é preciso garantir que pode ser preparada da mesma forma em dezenas de lojas diferentes.

"Não interessa criar algo que eu seja capaz de fazer. O importante é criar algo que consiga ensinar e que qualquer equipa consiga preparar sempre da mesma forma."

Por isso, cada lançamento começa muito antes de chegar à montra. Primeiro escolhem-se os ingredientes e os fornecedores. Depois vêm os testes, os ajustes e a adaptação às condições reais de cada loja. Só no fim chega a formação das equipas.

Mas há uma regra que nunca muda: nem todas as ideias avançam.

"Mais importante do que perceber quando uma receita funciona é saber reconhecer quando não funciona."

Só chegam às vitrinas as receitas que convencem toda a equipa. "Só vendemos produtos de que nós próprios gostamos. Se não gostarmos, simplesmente não faz sentido vender."

Portugal e Espanha: tradição e tendências

 

 

Entre Portugal e Espanha, a distância pode ser curta, mas à mesa há diferenças que contam. Para Juan Bosco, criar para os dois mercados é perceber onde termina a tradição, onde começam as tendências e como se responde a consumidores com hábitos diferentes.

Em Portugal, o ponto de partida são os sabores que já fazem parte do dia a dia. A bifana, o panado, os croquetes, os croissants, produtos com raízes na cultura portuguesa que Juan Bosco trabalha para melhorar sem os descaracterizar. "Nunca vamos conseguir competir com a bifana clássica feita numa tasca. O nosso objetivo é oferecer uma interpretação própria, com um toque Goody, que seja diferenciador."

 

Bifana com sotaque espanhol
Bifana com sotaque espanhol

 

Há receitas que também contam uma história. Para Juan Bosco, a bifana é uma delas. Cresceu perto da fronteira portuguesa e habituou-se a comer bifanas sempre que atravessava o país. Quando chegou a altura de criar a versão Galp Goody, quis respeitar esse clássico sem o copiar.

 

"Foi uma receita desenvolvida com muito cuidado. Escolhemos o pão, a carne e o molho ao pormenor." O resultado é uma bifana com identidade própria, pensada para quem quer comer bem, mesmo numa pausa rápida.

 

Em Espanha, o consumo é mais influenciado pelas tendências, e a diversidade regional - o que resulta numa zona pode não resultar noutra - obriga a uma leitura constante do mercado. É aqui que entra a abertura cultural que Juan Bosco traz na bagagem.. "A gastronomia vai muito além da técnica. Vivemos num mundo cheio de influências e é preciso estar aberto a novas referências".

 

 

Foi assim que chegou o dot de matcha com morango. Numa reunião de equipa, alguém levantou o tema. Juan era consumidor habitual e achou que juntar matcha com morango podia resultar em algo diferente. Em cerca de um mês, o produto foi lançado em Espanha e depois chegou a Portugal. O café Biscoff seguiu uma lógica parecida: uma combinação conhecida, reinterpretada para o contexto Galp.

O trabalho invisível de um chef

 

A maioria das pessoas nunca saberá quantas receitas ficaram pelo caminho antes de uma bifana, de um café Biscoff ou de um dot de matcha chegarem à montra. E talvez seja esse o melhor sinal de que o trabalho foi bem feito.

Juan Bosco dificilmente estará na loja onde fizer a próxima paragem. Mas há muito dele em cada produto: nas receitas que foram afinadas vezes sem conta, nos ingredientes escolhidos ao detalhe e, sobretudo, na ideia de que uma refeição rápida também merece ser pensada com rigor.

Porque, às vezes, o trabalho mais importante de um chef é precisamente aquele que ninguém vê.

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