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Diogo Piçarra: "O exercício é a minha meditação"

Diogo Piçarra: "O exercício é a minha meditação"

Pessoas

Mais de 20 mil passos num dia de concerto, treinos de Muay Thai e uma dificuldade assumida em ficar parado. Diogo Piçarra, embaixador do Todos os Passos Contam, fala-nos sobre a importância de cuidar do corpo e da cabeça, a exigência de estar em palco e o desafio de encontrar tempo para a música, a família e para si próprio.

Até 22 de novembro, todos os passos contam. Descubra como participar e junte os seus ao desafio.

O calor fazia-se sentir no campo de basquetebol da Praceta Marquês de Soveral, em Cascais, onde decorria a gravação do novo spot do Todos os Passos Contam. Diogo Piçarra, uma das caras da iniciativa da Fundação Galp, chegou com a simpatia de sempre: cumprimentou a equipa, trocou algumas palavras com quem já preparava as filmagens e rapidamente entrou no ritmo.  

Entre takes, aproveitámos para conversar sobre movimento, música, família e sobre uma coisa que, percebemos depressa, não faz muito parte da sua vida: estar parado. 

 

Costumas olhar para o telemóvel para ver quantos passos deste ao final do dia? 

Sim. Se foi um dia agitado, de concerto ou de muito desporto, é normal verificar. E até se foi um dia muito parado, faço o mesmo, para perceber se dei muitos ou poucos passos e tentar compensar no dia seguinte. 

Quando viajo também gosto de ver. Se fui de férias para uma cidade europeia e andei muito, vou perceber quantos quilómetros fiz pela cidade. Mesmo quando vou treinar ao ginásio, gosto de ver a quantos passos correspondeu o treino. 

 

Tens ideia de quantos passos dás num dia normal? 

O meu dia normal é ficar no estúdio. Se não fizesse desporto, fazia zero passos [risos]. Por isso, tenho de me obrigar: vou fazer desporto, caminhar, correr. Em dias de concerto também tento estar ativo e fazer um bocadinho de desporto no hotel, nem que seja um mini treino de 15 minutos. 

Diria que faço, em média, nove ou dez mil passos. Mas tenho de me forçar a fazê-los. Senão eram 300 ou 400: desci ao estúdio, subi e está feito. 

 

E num dia de concerto? 

Mais de 20 mil. É uma hora e meia de cardio: estou a correr de um lado para o outro, vou à grade, ao público, volto ao palco, salto... 

 

Não basta treinar a voz. É preciso estar em forma para dar um concerto. 

Sim. Tento que o concerto seja uma experiência para todos e tenho de aquecer bem. Costumo até dar umas corridas no camarim para aquecer antes de entrar em palco. 

Depois há o pós-concerto, as fotografias com os fãs... Posso estar mais duas horas, duas horas e meia de pé com as pessoas. Portanto, um concerto não é só aquela hora e meia. São quase quatro horas combinadas. 

 

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Diogo Piçarra

Para Diogo Piçarra, a exigência de uma digressão não se mede apenas no esforço físico dos concertos. Há horas de estrada, pouco tempo para si e muitos dias passados com as mesmas pessoas. “A certa altura, já sabemos tudo uns dos outros”, brinca. Para manter a cabeça em forma, procura criar pequenas pausas na rotina, seja através do exercício, da leitura ou simplesmente de música nova. 

“Se não tiver pelo menos 15 minutos para mim, acho que ficava maluco. Faço uns abdominais, umas flexões, leio um bocadinho… É a minha forma de sair daquela rotina.” 

E meditação? Já experimentaste? 

Já, mas acho que me deixa mais ansioso [risos]. Não funciona comigo. Não sei se fiz os exercícios certos, mas estava a ficar mais nervoso em vez do contrário. 

Acho que o exercício é a minha meditação. Preciso de me desgastar, de gastar energia. A leitura também me ajuda a cansar a cabeça e, depois, à noite, tento ter o mínimo de horas de sono de que preciso. É esse trio, essa combinação.

 

 

“Onde me sinto realmente feliz é a fazer música no estúdio” 

 
És bom a não fazer nada ou tens sempre de arranjar alguma coisa para fazer? 

Não sou aquela pessoa de sofá. Tenho uma filha de seis anos e, se estiver em casa, tento aproveitar o tempo para estar com ela, brincar, pintar, fazer outras atividades. Acho que sou das pessoas que menos se senta num sofá. Aliás, tinha consolas e dei-as todas aos meus amigos. 

 

Porquê? 

Sentia que, enquanto estava a jogar, havia alguém a fazer uma música que eu não estava a fazer. Pensava: “Alguém está a trabalhar, alguém está a fazer a música que eu devia estar a fazer”. Então preferi tirar essa distração da minha vida. 

Mas também há outra coisa: onde me sinto realmente feliz é a fazer música no estúdio. Para mim, isso também é lazer. Posso estar agarrado à guitarra sem estar propriamente a compor, só a trautear, a dar uns acordes, a tocar piano ou a descobrir melodias. Se dali sair uma música, de repente tornou-se trabalho. Se não sair, foi uma distração. 

 

Como consegues conciliar carreira, família e ainda encontrar tempo para ti? 

É um desafio. A paternidade é o maior desafio da humanidade [risos]. Porque implica estar presente, mas presente com qualidade. Não é só ter o corpo ali enquanto estás agarrado ao telefone e a tua filha brinca ao teu lado. 

O meu dia tornou-se quase uma tabela de horários. Levo a minha filha à escola e tenho aquelas cinco ou seis horas para trabalhar e tratar de tudo o que preciso. Quando a vou buscar, tento que o tempo seja para ela. Depois de ela se deitar, posso ler, ver uma série ou voltar a pegar numa música. 

E tenho a sorte da mulher que tenho em casa, que organiza grande parte das coisas. Eu estou muitas vezes no meio da composição de um disco, a pensar num álbum ou num concerto, e ela consegue garantir que o resto também acontece.

 

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“No Muay Thai sinto-me uma pessoa normal”

 
Costumas praticar desporto regularmente? O que fazes atualmente? 

Sim. Há quase um ano inscrevi-me no Muay Thai. Queria experimentar algo diferente e adorei. Em criança tinha feito karaté, depois joguei futebol com o meu irmão, mas quando surgiu a música deixei de jogar regularmente. 

 

Consegues ir regularmente? 

Sim, embora durante o verão tenha sido mais difícil por causa dos horários. Mas sempre que tenho uma manhã livre, vou. Felizmente, o ginásio tem vários horários. E depois é uma turma enorme, quase 20 pessoas. É divertido. Estou com pessoas de 15 anos e outras de 50 ou 60. 

Estou a aprender uma coisa nova, faço desporto, distraio-me e, durante aquelas quase duas horas, sinto-me uma pessoa “normal”. Não sou figura pública. Nunca ninguém me pediu uma fotografia. Somos todos iguais. 

 

Isso é importante para ti? 

Sem dúvida. E estar a aprender alguma coisa nova também nos torna humildes. Não és bom naquilo, as pessoas têm de te ensinar. Estás novamente a começar do zero. É muito bom sentir isso. 

 

E custa-te arranjar motivação para ir treinar? 

Não muito, porque também é divertido. Gosto de ir, convivo com as pessoas. Mas é super duro. Ninguém me avisou que seria um desporto tão duro [risos]. 

Quando não faço Muay Thai, faço pesos em casa e corro de vez em quando. Tento conjugar um bocadinho as várias coisas. 

 

Os fãs de Diogo Piçarra arrecadaram 17,5 mil passos para a iniciativa em 2025. “Este ano queremos chegar aos 25 mil.”  

 

Falando agora de “Todos os Passos Contam”: quantos quilómetros achas que consegues juntar ao projeto? 

A minha comunidade é muito unida. Sinto que as próprias páginas de fãs fazem esse trabalho de angariar quilómetros melhor do que eu [risos]. Eu tento mobilizar a minha família e a minha equipa, embora nem sempre seja fácil conseguir que todos enviem os passos a tempo. Os fãs compensam isso. Juntam os passos e até promovem atividades para angariar mais. 

 

E este ano, qual é a meta? 

No ano passado acho que fizemos cerca de 17,5 mil. Agora seria bom chegarmos aos 25 mil. É esse o objetivo: tentar sempre melhorar e superar aquilo que fizemos. 

Eu também quero contribuir. No ano passado tentei contar os passos no Muay Thai, mas é difícil ter um relógio e luvas ao mesmo tempo. Ainda tentei guardar o telefone no bolso, mas com os pontapés estava sempre a saltar [risos]. Este ano tenho de arranjar uma pulseira ou alguma coisa mais confortável. Já que estou a fazer desporto, a correr e a saltar, quero aproveitar esses passos. 

 

Se tivesses de escolher três pessoas para juntar à tua equipa, quem escolhias? 

Ia buscar a equipa da Men’s Health: o meu PT, Pedro Medeiros, o Pedro Lucas e a Rita, que foi a minha nutricionista. Foram os três que me ajudaram a pôr em forma naquela altura. Agora era a minha vez de os desafiar. Já que eles me desafiaram a fazer a capa, agora desafiava-os a darem-me passos [risos]. 

 

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Boa forma, sem obsessões

Há seis anos, o desafio da Men’s Health mudou a forma como Diogo Piçarra olha para a alimentação e para o exercício. Ficaram hábitos simples: distribuir melhor as refeições, escolher lanches mais saudáveis e treinar com atenção à técnica. Mas, sobretudo, ficou uma ideia de equilíbrio. 


“Não é preciso ser o Schwarzenegger ou ter todos aqueles abdominais e músculos para ter uma vida saudável e com qualidade”, reflete o cantor. 

 
O que dirias a alguém que está a hesitar em participar porque pensa “atividade física não é para mim”? 

Diria para não ter medo das palavras “desporto”, “correr” ou “sair de casa para fazer exercício”. Com pouco conseguimos fazer alguma coisa. Às vezes nem pensamos nos passos que damos no dia a dia. Vamos às compras e os passos que damos no supermercado já contam. Podemos fazer uns saltos em casa durante 15 minutos e já estamos a fazer cardio. 

Não temos de transformar completamente a nossa rotina. Só a nossa vida normal já nos pode pôr em movimento. 

 

E saber que esses passos também ajudam outra pessoa torna o desafio diferente? 

Essa parte é ainda mais importante. Muitas vezes estamos tão embrulhados na nossa própria vida que nem sabemos muito bem o que podemos fazer para ajudar alguém. Aqui é muito simples. Contamos os passos, fazemos um print screen, enviamos e já estamos a contribuir. 

De repente, tira-se dos ombros das pessoas aquele peso de pensar: “O que é que eu posso fazer para ajudar?”. Já estás a ajudar. Deste os teus passos, enviaste-os e começaste a fazer a diferença.  

 

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