Pode a sombra de um painel solar mudar o vinho que chega ao copo? Na Tapada da Ajuda, em Lisboa, uma uvinha transformou-se num laboratório a céu aberto para testar essa ideia. Dois anos depois, o resultado já se pode provar: chama-se Luz da Tapada.
Entre as vinhas da Tapada da Ajuda, com Lisboa e o Tejo em pano de fundo, há um elemento inesperado: várias filas de painéis fotovoltaicos. Ao contrário do que acontece num parque solar convencional, não estão junto ao solo. Elevam-se entre quatro e cinco metros, deixando espaço para as videiras, para as pessoas e para as máquinas agrícolas passarem por baixo.
É aqui que a Galp e o Instituto Superior de Agronomia (ISA) estão a testar uma forma diferente de aproveitar o mesmo terreno. Em vez de substituir a vinha por painéis solares, o projeto AgriPV procura perceber se é possível produzir energia renovável e continuar a cultivar uvas no mesmo espaço - e se a sombra criada pelos painéis pode ajudar as videiras a enfrentar temperaturas mais elevadas. O piloto, instalado em maio de 2024, é o primeiro projeto agrivoltaico em vinha executado em Portugal.
“A ideia é encontrar uma sinergia entre a agricultura e a produção de energia. Em vez de termos de escolher entre uma vinha ou uma instalação solar, procuramos perceber como as duas podem coexistir no mesmo terreno”, explica Thayná Camões, gestora de projetos de inovação da Galp.
Mas, por detrás de uma ideia simples, há várias perguntas por responder. O que acontece a uma videira quando passa parte do dia à sombra? Precisa da mesma quantidade de água? As uvas amadurecem ao mesmo ritmo? E, no final, o vinho é diferente?