HVO: o que distingue esta nova geração de combustíveis renováveis

HVO: o que distingue esta nova geração de combustíveis renováveis

Negócio

Os biocombustíveis avançados, como o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), estão a ganhar importância na transição energética. Desenvolvidos para reduzir a intensidade carbónica dos combustíveis líquidos, poderão ajudar a descarbonizar os transportes onde a eletrificação continua a ser mais difícil.

 

A União Europeia definiu metas ambiciosas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa associadas aos transportes. Mas há um desafio difícil de resolver: nos sectores rodoviário de pesados, marítimo e aeronáutico, que requerem muita energia, os eletrões não são solução - gerando a necessidade de muitas baterias, o que acarreta custos elevados e reduziria, nestes veículos, o espaço de carga útil. Enquanto os automóveis ligeiros aceleram rumo à mobilidade elétrica, aviões, navios e muitos veículos pesados continuarão a depender de combustíveis líquidos durante muitos anos. O desafio passa por encontrar formas de produzir esses combustíveis com menor intensidade carbónica.​

"Tudo o que pudermos eletrificar, eletrificamos diretamente. Mas depois há áreas dos transportes que não conseguimos descarbonizar tão facilmente e continuamos a precisar de combustíveis líquidos.", explica Sérgio Machado, diretor da área de Hidrogénio e Combustíveis Renováveis da Galp.

 

O que distingue o HVO dos restantes combustíveis?

 

O HVO é um combustível renovável. Ao contrário dos combustíveis produzidos a partir do petróleo, é fabricado recorrendo sobretudo a resíduos e subprodutos industriais (da indústria alimentar e de outras indústrias), a óleos alimentares usados (UCO), a gorduras animais, entre outros.

Embora seja um biocombustível, não deve ser confundido com o biodiesel tradicional (FAME). Graças às suas características, o HVO apresenta várias vantagens:

  • Pode ser utilizado em motores diesel compatíveis sem necessidade de modificações, sendo possível encher um tanque com 100% de HVO, enquanto que com o FAME existe um limite técnico máximo (e.g. 10%);
  • Oferece um desempenho semelhante (e, por vezes, melhor) ao do gasóleo convencional;
  • Apresenta maior estabilidade durante o armazenamento;
  • Permite reduzir significativamente a intensidade carbónica ao longo do seu ciclo de vida, dependendo da matéria-prima utilizada, podendo chegar a uma redução de GHG de 90%, quando comparado aos combustíveis fosseis

 

HVO para a estrada. SAF para os céus.
HVO para a estrada. SAF para os céus.

 

Se o HVO foi pensado para ajudar a reduzir as emissões do transporte rodoviário, o SAF (Sustainable Aviation Fuel) tem o mesmo objetivo na aviação. Produzido a partir das mesmas matérias-primas residuais e através de um processo semelhante, este combustível sustentável consiste numa mistura do bio-jet com jet mineral, formando o SAF, que contribui para reduzir a intensidade carbónica dos voos.

Como é produzido o HVO?

 

A produção de HVO transforma matérias-primas residuais em combustível renovável, através de um processo industrial que utiliza hidrogénio.

 

Como está a Galp a produzir HVO?

 

A refinaria de Sines é, há várias décadas, uma infraestrutura estratégica para o abastecimento energético nacional, produzindo cerca de 90% dos combustíveis consumidos em Portugal. Ao mesmo tempo, é também uma das unidades industriais com maiores emissões de dióxido de carbono do país, o que faz da sua transformação uma peça importante da descarbonização dos transportes.

Essa transformação começou antes da construção da nova unidade de HVO. Desde 2017, a Galp produz combustíveis com componente renovável através do coprocessamento, um processo que incorpora matérias-primas residuais, como óleos alimentares usados, juntamente com o petróleo durante a refinação. O HVO também é produzido através do coprocessamento.

O passo seguinte é o projeto HVO@Galp: uma unidade construída de raiz e dedicada exclusivamente à produção de gasóleo renovável (HVO) e combustível sustentável para a aviação (SAF).

 

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As metas europeias

A descarbonização dos transportes é uma das prioridades da União Europeia para alcançar a neutralidade carbónica até 2050. Para isso, a Diretiva das Energias Renováveis (RED III) estabelece que, até 2030, os Estados-Membros devem garantir que 29% da energia consumida nos transportes é de origem renovável ou, em alternativa, reduzir em 14,5% a intensidade das emissões de gases com efeito de estufa dos combustíveis utilizados.

Cabe a cada estado membro da EU fazer uma transposição dessa diretiva. Portugal, na sua proposta de transposição, elegeu um target geral de 29% (incorporação de renováveis) até 2030.

Combustíveis renováveis e hidrogénio verde: combinação para reduzir emissões

 

Quando estiver em pleno funcionamento, o projeto HVO@Galp terá capacidade para produzir cerca de 240 mil toneladas de HVO e 180 mil toneladas de SAF por ano. Esta produção permitirá evitar cerca de 800 mil toneladas de emissões de CO₂ equivalente por ano, ao substituir combustíveis fósseis por alternativas renováveis.

Já o Galp H2 Park contribuirá para reduzir em cerca de 110 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano as emissões diretas da refinaria, através da substituição de parte do hidrogénio atualmente produzido a partir de gás natural por hidrogénio verde.

Em conjunto, estes projetos ilustram como diferentes tecnologias podem atuar de forma complementar: por um lado, reduzindo as emissões associadas à produção de energia; por outro, diminuindo a pegada carbónica dos combustíveis utilizados nos transportes. É uma nova etapa na transformação da refinaria de Sines e um exemplo de como a inovação pode acelerar a transição energética.

 

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