Hidrogénio verde: como pode ajudar a descarbonizar a indústria

Hidrogénio verde: como pode ajudar a descarbonizar a indústria

Negócio

O hidrogénio verde costuma ser apresentado como uma tecnologia do futuro. Mas essa transformação já começou e promete ajudar a descarbonizar alguns dos setores mais difíceis de eletrificar, como a indústria e os transportes.

Há uma molécula que está na ordem do dia, mas que trabalha nos bastidores da indústria há mais tempo do que imagina. Chama-se hidrogénio. Hoje, é apontado como uma das grandes apostas da transição energética. A grande mudança não está na molécula, mas na forma como é produzida.

É essa evolução que faz do hidrogénio verde uma das tecnologias mais promissoras para reduzir as emissões da indústria e produzir combustíveis com menor intensidade carbónica.

 

O que é, afinal, o hidrogénio verde?

 

O hidrogénio é o elemento químico mais abundante do universo, mas raramente se encontra isolado na natureza. Para ser utilizado, precisa de ser separado de outras moléculas. Existem diferentes formas de o produzir.

A mais comum é através do gás natural. Este processo, conhecido como produção de hidrogénio cinzento, continua a ser o mais utilizado no mundo, mas implica emissões de dióxido de carbono (CO₂).

Já o hidrogénio verde é produzido com recurso à água e à eletricidade de origem renovável, reduzindo significativamente essas emissões.

 

 

Porque é que uma refinaria precisa de hidrogénio?

 

O hidrogénio já faz parte do funcionamento diário de uma refinaria. É utilizado em vários processos industriais que permitem transformar o petróleo em combustíveis com as características exigidas atualmente, ajudando, por exemplo, a remover impurezas e a melhorar a qualidade dos produtos finais.

A Refinaria de Sines é um maior produtor e consumidor de hidrogénio em Portugal. A refinaria utiliza-o desde que entrou em funcionamento, em 1978, sendo hoje  o maior produtor e consumidor de hidrogénio em Portugal.

Atualmente, é obtido sobretudo a partir de gás natural, um processo que representa entre 20% e 25% das emissões totais da refinaria. Ao substituí-lo progressivamente por hidrogénio verde, será possível reduzir significativamente essas emissões sem alterar a função que o hidrogénio desempenha no processo industrial.

 

Para que vai servir o hidrogénio verde produzido em Sines?
Para que vai servir o hidrogénio verde produzido em Sines?

 

 

Numa primeira fase, permitirá substituir parte do hidrogénio atualmente produzido a partir de gás natural e utilizado nos processos de refinação. Esta mudança deverá contribuir para reduzir cerca de 110 mil toneladas de emissões de CO₂ por ano.

 

O hidrogénio verde poderá ser também utilizado para alimentar a futura unidade de biocombustíveis da Galp, onde ajudará a produzir combustíveis renováveis como o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) e o SAF (Sustainable Aviation Fuel), destinados a setores onde a eletrificação continua a ser um desafio, como a aviação.

 

À medida que a economia do hidrogénio evoluir, poderá abastecer outras instalações industriais da região e futuras infraestruturas de mobilidade a hidrogénio, contribuindo para alargar a utilização desta tecnologia.

 

No fundo, o hidrogénio verde produzido em Sines nasce para cumprir uma missão maior: ajudar a descarbonizar a indústria e os transportes, dois dos setores mais difíceis de eletrificar.

Sines: uma refinaria em transformação

 

A Galp está a construir uma unidade de eletrólise com 100 MW de capacidade, uma das maiores da Europa, capaz de produzir cerca de 15 mil toneladas de hidrogénio verde por ano. O investimento ronda os 250 milhões de euros, inserido num projeto mais amplo de 650 milhões de euros dedicado aos combustíveis renováveis. A entrada em operação está prevista para o segundo semestre de 2026.

Quando estiver em funcionamento, a nova unidade permitirá substituir cerca de 20% a 25% do consumo atual de hidrogénio cinzento da refinaria. O objetivo é integrar o hidrogénio verde numa refinaria que continua a adaptar-se às novas necessidades energéticas.