Cláudia Pereira trabalha há quase três décadas na área das dependências e acompanha de perto a evolução do consumo em Lisboa. No Serviço de Apoio Integrado da Ares do Pinhal ajuda a construir respostas adaptadas a uma população em situação de vulnerabilidade, entre estas, a Consulta da Saúde da Mulher, um projeto apoiado pela Fundação Galp, através da consignação do IRS.
Poucos minutos antes das 10h da manhã, o Serviço de Apoio Integrado (SAI) da Ares do Pinhal, na zona do antigo Casal Ventoso, abre as suas portas. Sempre com fila na abertura, durante o dia o movimento é constante: pessoas entram, saem, ficam por ali algum tempo e regressam. Para muitos - em situação de dependência - este é um dos poucos espaços onde podem estar com segurança e responder a necessidades básicas.
“Quando abrimos, às 10h, já há umas 20 a 30 pessoas à espera. Muitas vêm para fazer uma pequena refeição, ver televisão ou estar um bocadinho a descansar”, explica Cláudia Pereira, psicóloga e coordenadora de Investigação e Desenvolvimento da Ares do Pinhal.
No interior, o movimento é constante, mas ordenado. À esquerda, a receção organiza entradas: cada utente dá o seu número e é distribuído pelos diferentes espaços. À direita, uma zona comum onde podem sentar-se, beber café, carregar o telemóvel, ver televisão, aceder a um dos computadores ou fazer uma pequena refeição. Mais à frente, os balneários garantem o essencial - todos os dias, cerca de 20 pessoas tomam banho e recebem roupa e produtos de higiene pessoal.