A Galp obteve um resultado líquido ajustado de €272 milhões de euros, um aumento de 41% face ao mesmo período de 2025, alavancado pelo aumento da produção de petróleo e gás natural no Brasil.
O resultado ajustado a custo de substituição (RCA) antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda) aumentou 41% para €943 milhões. Cerca de 73% deste valor teve origem na unidade negócio de Upstream, cujo Ebitda aumentou 78%, beneficiando do efeito combinado de um incremento de 23% da produção de petróleo e gás natural com o aumento da cotação média do brent.
Suportada pela entrada em produção do Campo de Bacalhau, a produção média diária de petróleo e gás no primeiro trimestre de 2026 foi equivalente a 129 mil barris, contra 104 mil barris no trimestre homólogo. A cotação média do brent aumentou 7% para $81,1 por barril.
“A Galp arrancou o ano de uma forma sólida, apesar do aumento da volatilidade dos mercados, e da incerteza global, graças à resiliência dos seus ativos e a uma disciplinada execução operacional”, afirmou Maria João Carioca, co‑CEO da Galp. “Esta solidez permitiu-nos prosseguir o desenvolvimento dos nossos projetos, mas também assegurar o abastecimento energético do país em momentos críticos como as tempestades do início do ano ou a disrupção das cadeias de abastecimento com o bloqueio do estreito de Ormuz”.
A continuidade operacional e a fiabilidade da Refinaria de Sines, em paragem programada durante 50 dias no trimestre anterior, a maior da sua história, permitiu à unidade de Industrial & Midstream capturar o aumento das margens de refinação internacionais a partir de março, compensando o impacto do mau tempo que afetou o país nos dois meses anteriores e que limitou nesse período o aprovisionamento de crude por via marítima.
As margens de refinação, que dependem da diferença entre a cotação das matérias-primas, como o crude, e a dos produtos refinados no mercado europeu, situaram-se em $14,8 por barril, sobretudo devido à valorização das cotações do gasóleo e do jet fuel, na sequência do conflito no Médio Oriente e do encerramento do estreito de Ormuz.
Ebitda integralmente proveniente do exterior
Apesar de um aumento de 80% no trading de gás natural nos mercados internacionais, e da duplicação do impacto das exportações de produtos refinados – sobretudo gasolinas – o Ebitda desta unidade diminuiu 9% para €198 milhões devido ao impacto contabilístico da subida dos preços dos produtos petrolíferos, que se reflete de imediato nos custos da unidade de Energy Management, mas é diferido no lado das vendas de produtos a clientes.
Esse efeito, conhecido por time lag, teve um impacto negativo de cerca de €130 milhões, fazendo com que o contributo das atividades no mercado nacional para o Ebitda RCA da Galp no trimestre fosse nulo. Foi, assim, a atividade internacional a assegurar a totalidade do Ebitda do grupo.
A Comercial registou um forte resultado operacional, aumentando o Ebitda em 37%, para €84 milhões, impulsionado pelo segmento B2B em Espanha. A área de produtos e serviços de conveniência e soluções de energia representou 22% dos resultados num trimestre em que a Galp procurou compensar o impacto da subida dos preços dos combustíveis para os seus clientes através da simplificação e significativo reforço dos mecanismos de desconto.
As Renováveis registaram um aumento de vendas de energia renovável de 21% devido ao aumento da capacidade instalada na Península Ibérica. A operação decorreu em cenário de preços da energia solar baixos dado o aumento da produção hídrica, num início de ano pautado por elevada pluviosidade. O Ebitda da unidade foi marginalmente negativo, em €2 milhões.
Os resultados líquidos de acordo com as normas contabilísticas internacionais (IFRS) traduziram-se em perdas de €111 milhões devido à variação da valorização de instrumentos derivados para cobertura de risco.
Foco do investimento no Brasil e em Portugal
O investimento total no trimestre foi de €201 milhões, uma redução face aos €295 milhões registados no mesmo período de 2025, dada a diminuição das necessidades de capital dos projetos de Upstream, que ainda assim absorveram metade do investimento no trimestre.
O investimento nos projetos industriais de produção de biocombustíveis avançados (SAF e HVO) e de Hidrogénio verde em Sines – ambos pioneiros a nível europeu – aumentou 17% em termos homólogos, para €51 milhões. O investimento manteve-se estável, tanto na área das Renováveis, centrado na instalação de baterias, como na Comercial.
O investimento líquido (net capex) foi de €252 milhões, o que compara com uma entrada líquida de capital no período homólogo, devido ao recebimento de parte do valor de venda da posição na Área 4, em Moçambique, à ADNOC.
Indicadores financeiros
A geração de caixa operacional ajustada (OCF) no 1º trimestre atingiu €713 milhões, mais do dobro em relação ao mesmo período de 2024. O Free Cash Flow foi de €47 milhões, o que compara com €186 milhões no período homólogo do ano anterior.
O endividamento líquido permaneceu estável em relação ao final do ano, em €1,3 mil milhões, resultando num rácio da dívida líquida sobre o Ebitda de 0,44x, uma posição financeira sólida face à média da indústria.