O aumento da produção de petróleo no Brasil suportou o resultado líquido ajustado (RCA) da Galp nos primeiros seis meses do ano de €812 milhões e no 2º trimestre de €540 milhões.
Na base destes resultados esteve o aumento de 17% da produção de petróleo e gás natural face ao semestre homólogo, explicado pela entrada em operação e ramp-up do campo de Bacalhau, no Brasil, e pelo aumento de 28% do preço médio do Brent, para os $92,3 por barril.
“Estes resultados refletem a qualidade dos nossos ativos e a capacidade de execução das nossas equipas, mesmo num contexto de elevada volatilidade. Mantemos uma forte disciplina financeira, enquanto continuamos a investir em oportunidades que reforçam a competitividade e o potencial de crescimento da Galp.”, afirma a co-CEO e CFO da Galp, Maria João Carioca.
Assim, o resultado ajustado a custo de substituição (RCA) antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda) do Upstream aumentou mais de 70%, tanto em termos semestrais como trimestrais, representando 62,5% do Ebitda total da Galp nos seis meses até 30 de junho, que ultrapassou os €2,2 mil milhões (+47%), e mais de metade do Ebitda do 2º trimestre, que atingiu €1,27 mil milhões (+52%).
O segundo grande contributo para os resultados veio do Industrial e Midstream (I&M), onde se incluem as atividades de Aprovisionamento e Trading, bem como as de Refinação, que beneficiaram de diferenciais historicamente elevados nos mercados internacionais entre a cotação das matérias-primas, como o Brent, e a dos produtos refinados, como o gasóleo, a gasolina ou o jet fuel – a chamada margem de refinação, que se situou em $15,8 por barril no 1º semestre.
Mais de 90% do Ebitda gerado fora de Portugal
Assim, em termos homólogos, o Ebitda do I&M aumentou 22% no semestre, para €656 milhões, e 43% no trimestre, para €458 milhões, em boa parte devido a um aumento do valor das exportações, cujo contributo para o Ebitda mais do que duplicou. A atividade de trading de gás natural e produtos petrolíferos também contribuiu para os bons resultados do I&M, tanto no 2º trimestre como no conjunto do semestre, que contou com o contributo integral das cargas de GNL contratadas à Venture Global.
O Upstream e o I&M, cuja atividade se desenrola predominantemente nos mercados internacionais, fizeram com que mais de 90% do Ebitda do 1º semestre tivesse sido gerado no exterior.
Os resultados da Comercial beneficiaram de uma recuperação das vendas de gás natural e de eletricidade, e do segmento B2B na Península Ibérica. A área de produtos e serviços de conveniência e soluções de energia representou 32% dos resultados no 1º trimestre. Em termos agregados, a Comercial aumentou o seu Ebitda em 21% para €197 milhões nos primeiros seis meses face ao período homólogo do ano anterior, e 12% em termos trimestrais, para €113 milhões.
As Renováveis aumentaram todos os seus indicadores operacionais, em grande parte devido à aquisição, em abril, de uma carteira de 350MW de ativos eólicos em Espanha, à entrada em operação de 230MW de capacidade solar em junho, e à adição de 55MW de capacidade de armazenagem através de baterias. No entanto, o aumento da produção de eletricidade não se materializou proporcionalmente em resultados, devido à queda dos preços, sobretudo no 1º trimestre, em que a chuva abundante fez disparar a produção hídrica. Assim, embora o Ebitda das Renováveis tenha aumentado 20% em termos homólogos trimestrais, para €11 milhões, no conjunto do 1º semestre caiu para cerca de metade em comparação com o mesmo período de 2025.
Já os resultados líquidos da Galp de acordo com as normas contabilísticas internacionais (IFRS) diminuíram 4% em termos homólogos semestrais, para €651 milhões, continuando a refletir a elevada volatilidade nos mercados e os impactos associados à variação da valorização de instrumentos de cobertura de risco.
Foco do investimento na Ibéria e no Brasil
O investimento total no semestre foi de €696 milhões, um aumento de 44% face ao ano anterior, essencialmente devido à aquisição da carteira de ativos eólicos em Espanha, representando um investimento de €318 milhões. Neste semestre, mais de 70% do investimento foi dirigido às atividades na Península Ibérica, incluindo €109 milhões na Refinaria de Sines, essencialmente no desenvolvimento dos projetos de baixo carbono.
Entre renováveis, transformação da Refinaria de Sines e outros projetos de baixo carbono, 63% do investimento no semestre, ou seja, €442 milhões, foram destinados a projetos de transição energética. O restante foi aplicado essencialmente no desenvolvimento do projeto Bacalhau e na perfuração de poços de desenvolvimento no campo de Tupi, ambos situados no pré-sal da bacia de Santos, no Brasil.
O investimento líquido de desinvestimentos (net capex) no semestre foi de €799 milhões, o que compara com uma entrada líquida de capital no período homólogo.
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