A Galp obteve em 2025 um resultado líquido ajustado de €1,15 mil milhões, o maior de sempre, com o aumento da produção de petróleo e gás no Brasil e o aprovisionamento & trading de gás natural a mitigarem o efeito combinado das desvalorizações do crude e do dólar, bem como o impacto de uma paragem programada da Refinaria de Sines. No 4º trimestre, o resultado líquido ajustado totalizou €182 milhões, mais do dobro do valor homólogo.
Durante todo o exercício, a Galp manteve plena continuidade operacional em todas as suas áreas de negócio, assegurando elevados níveis de fiabilidade, segurança e serviço aos seus clientes.
“Num contexto internacional adverso e volátil, assegurámos uma performance operacional forte e transversal a todas as áreas de negócio, o que reflete bem a qualidade e resiliência dos nossos ativos,” afirma Maria João Carioca, co-CEO e CFO da Galp. “Ao mesmo tempo, prosseguimos a execução disciplinada dos nossos projetos estruturantes e a nossa estratégia de crescimento assente em parcerias, que posicionam a Galp para um futuro de criação de valor sustentável.”
O resultado ajustado a custo de substituição (RCA) antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda) do ano foi de €3,04 mil milhões, uma diminuição de 8% em relação ao ano anterior que reflete o impacto do contexto de mercado, com a descida das cotações médias do brent, de $80,8 por barril em 2024, para $69,1 em 2025 (e $63,7 no quarto trimestre) e a desvalorização de 4% do dólar face ao euro ao longo de 2025.
O Ebitda do 4º trimestre foi de €619 milhões, menos 10% do que os €688 milhões registados no período homólogo de 2024, refletindo sobretudo o impacto da paragem programada para manutenção da Refinaria de Sines.
Mais de 80% do Ebitda de 2025 teve origem nas atividades internacionais – e mais de metade foi proveniente da produção de petróleo e gás natural no Brasil.
Para estes resultados foi fundamental a melhoria do desempenho das operações de Upstream no Brasil, e a entrada em produção de um novo campo no 4º trimestre, que permitiram que a produção média de petróleo e gás natural – que em 2024 se cifrara em 109 mil barris diários – tenha aumentado para 113 mil barris no 4º trimestre de 2025.
No Industrial & Midstream, o acesso a cargas de GNL dos Estados Unidos ao abrigo de contratos de longo prazo com a Venture Global permitiu aumentar 48% os volumes de gás natural comercializados em termos trimestrais homólogos, e 43% em evolução anual, limitando o efeito da paragem para manutenção da refinaria de Sines.
A Comercial obteve um resultado recorde em função da melhoria das condições no mercado espanhol e do reforço da contribuição dos produtos e serviços de conveniência e soluções de energia.
As Renováveis operaram mais uma vez num cenário de preços da energia solar pressionados, prosseguindo a sua estratégia de otimização das atividades de geração, através da limitação voluntária da produção, e de fontes de receitas adicionais provenientes da prestação de serviços de sistema de rede.
Os resultados líquidos, de acordo com as normas contabilísticas internacionais (IFRS) aumentaram para €1,12 mil milhões em termos anuais, um crescimento de 8%, e passaram dos €34 milhões para os €179 milhões em termos trimestrais homólogos.
Com base na sólida performance operacional, e em linha com as orientações para distribuições acionistas em vigor, o Conselho de Administração da Galp irá propor aos acionistas um aumento de 4% do dividendo, para €0,64 por ação, complementado por um novo programa de recompra de ações no valor de €250 milhões, a iniciar já este mês de março.
Investimento em Portugal aumenta
O investimento económico total no ano foi de €1,1 mil milhões, uma redução face aos €1,3 mil milhões registados em 2024, explicada pela diminuição das necessidades de capital dos projetos de Upstream, após a entrega do projeto Bacalhau no Brasil. A aceleração do investimento nos projetos industriais – pioneiros a nível Europeu – de produção de combustíveis de baixo carbono (SAF e HVO) e de hidrogénio verde em Sines impulsionou o Capex do Industrial & Midstream em mais de 50%.
O investimento efetuado em Portugal em 2025 totalizou €420 milhões, depois de €372 milhões aplicados no país no ano anterior.
O investimento na construção de novos parques solares e baterias traduziu-se num investimento de 173 milhões na área das Renováveis. A Comercial prosseguiu os investimentos na modernização das lojas e na expansão da rede de carregamento elétrico.
O encaixe com a venda de ativos em Moçambique e Angola traduziu-se num investimento líquido total de €95 milhões.
Indicadores financeiros
A geração de caixa operacional ajustada (OCF) no 4º trimestre atingiu €447 milhões, um aumento de 14% face ao mesmo período de 2024. O Free Cash Flow no trimestre foi de €81 milhões, o que compara com €304 milhões no mesmo período do ano anterior.
Em termos anuais, a geração de caixa operacional ajustada foi de €2,2 mil milhões, um aumento de 2% face ao 2024 apesar da significativa redução do preço do Brent. O Free Cash Flow no ano foi de €1,2 mil milhões, o que compara com €1,3 mil milhões no ano anterior.
O endividamento líquido aumentou em relação ao final do ano passado, para €1,3 mil milhões, após o pagamento de dividendos a minoritários em empresas do grupo e a conclusão de um programa de recompra de ações de €78 milhões. O rácio da dívida líquida sobre o Ebitda é de 0,5x, uma posição financeira sólida face à média da indústria.