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O PRIMEIRO PILOTO AGRI-PV NUMA VINHA EM PORTUGAL | AgriPV, ISA
Nome de startup/ Nome de projeto:
Piloto Agri-PV numa vinha, em colaboração o ISA
Tecnologia utilizada:
Fotovoltaica (PV)
Duração de projeto:
Três anos, a iniciar em outubro 2024
Status:
Em curso - instalação concluída em Maio 2024, atualmente na 3.ª campanha de monitorização
Localização de projeto:
Instituto Superior de Agronomia (ISA). Tapada da Ajuda, Lisboa
Pequena descrição de projeto:
A Galp e o Instituto Superior de Agronomia (ISA) desenvolveram o primeiro projeto agrivoltaico em vinha executado em Portugal, instalado na Tapada da Ajuda, em Lisboa.
Este projeto piloto visa avaliar o potencial da tecnologia agrivoltaica como estratégia de adaptação às alterações climáticas no setor vitivinícola. Ao cobrir parcialmente a vinha com painéis solares, a irradiância a que as plantas estão expostas é reduzida, com efeitos potencialmente positivos no seu desenvolvimento vegetativo e na qualidade das uvas e do vinho.
O piloto estuda duas castas brancas portuguesas - Encruzado e Viosinho - permitindo comparar a resposta das diferentes variedades às condições do sistema agrivoltaico. A vinha está equipada com sensores dedicados que permitem monitorizar as condições ambientais e quantificar o impacto no desenvolvimento da cultura.
Com 288 painéis solares, cobrindo uma área de aproximadamente 1.700 m², o projeto tem uma capacidade instalada de cerca de 130 kWp e produz eletricidade renovável para autoconsumo no campus do ISA.
Os painéis estão instalados a 4-5 metros acima do solo, cuja posição é ajustada em tempo real (estrutura com trackers), tirando assim o máximo partido da geração solar enquanto protege a produção agrícola de excesso de radiação e de eventos meteorológicos extremos.
Figura 1. Piloto Agrivoltaico instalado sob a vinha do Instituto Superior de Agronomia.
Os resultados preliminares das campanhas de 2024 e 2025, nas castas Viosinho e Encruzado, incluem:
Alterações do microclima da vinha:
- A radiação solar incidente foi reduzida entre ~35% e ~50% na zona sombreada pelos painéis, dependendo da posição relativa dos painéis às videiras.
- Na mesma zona sombreada, a humidade relativa do ar manteve-se, em média, cerca de 10% mais elevada do que na parcela a céu aberto.
- As folhas sob os painéis mantiveram-se consistentemente mais frescas do que as da testemunha, sobretudo a meio do dia e à tarde (11h–16h), com diferenças médias entre 1,5°C e 3°C.
Figura 2. Vinha sob os painéis: fotografia a cores (esq.) e imagem térmica por infravermelhos (dir.), evidenciando as zonas mais frescas sob a estrutura. Escala em °C.
Atraso na maturação:
- Em 2024, mesmo com os painéis instalados já com o ciclo vegetativo avançado, as uvas sob os painéis atingiram a maturação cerca de 2 a 3 semanas mais tarde do que as plantas testemunha.
- Em 2025, na primeira campanha a acompanhar todo o ciclo vegetativo, o atraso manteve-se: a vindima ocorreu entre 10 a 22 dias mais tarde do que nas plantas testemunha.
- Esta maturação mais lenta pode representar uma estratégia de adaptação importante face à antecipação das vindimas provocada pelo aumento das temperaturas globais.
Figura 3. Cachos de uva prontos a colher (esq.) e prensagem manual das uvas na vindima (dir.), ilustrando a passagem da vinha para a produção de vinho.
Proteção contra o escaldão solar:
- Em 2025, a incidência de escaldão nos cachos foi significativamente reduzida sob os painéis: na casta Viosinho, de 21,3% (testemunha) para 1,8–2,8%; na casta Encruzado, de 31,2% (testemunha) para 2,3–5,2%.
- Em 2024 não se registaram ocorrências de escaldão.